Alguém já me disse que esse texto parece de "stand-up comedy"*. Eu respondi que está mais pra "sit-down comedy"**, pois escrevi sentado para pessoas que lerão sentadas...
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Eu ficava pensando: "Por que o nome disso é Lan House?" (dá pra notar que eu penso em muita coisa útil...^^). Então eu descobri que lan é de "rede doméstica de computadores" e house é... é de "casa" mesmo (dâââ!...). Me perdoem, mas "rede doméstica" pra mim é uma estrutura de pano presa a dois ganchos nas paredes, onde eu fico me balançando e pensando nessas besteiras, tipo: "mas por que então que é 'house', se tem lan em shopping center, aeroporto, rodoviária e posto de gasolina?"... Putz! Quem está lendo agora deve ter achado essa péssima... Pior que esse pensamento só outro que eu vi um cara falar: ele disse "Por que é lan house, se lá não tem nem ovelha pra tirar lã?" Mas, se pensar bem, até que é engraçado... Parece nome de estilo musical:
-O que é que tem aí pra dançar?
-Meu bro, tem Eletro Tecno, Break Dance e Lan House!
Isso me faz lembrar de uma das vezes em que entrei em uma lan (vou chamar assim, é tão "moderninho"...). Foi num posto de gasolina (então não era uma Lan House, era uma Lan Gas Station***). Entrei e tinha uma loira grávida atrás do balcão, lendo aquelas revistinhas femininas de adolescente (Pô, vê se cresce!... Acho que ela fez o filho "brincando"...). Perguntei:
-Quanto é a hora?
Ela, sem desgrudar da revista - Dois reais.
Retruquei - Ah, então vai ser uma hora mesmo!
Fiquei esperando ela me indicar o computador e tal. Mas ela ficou muda, lendo. Na estação de rádio que servia como música-ambiente, tocava uma musiquinha até bacana - um pop rock. Então, a preguiçosa olhou pra mim com um esforço absurdo para levantar a vista e perguntou, com aquela vozinha antipática: -Vai querer? (não, vim até aqui só pra saber o preço da hora, sabe? Seu filho vai nascer com cara de bicho-preguiça e bunda de cágado cagado, tchau!). Ao invés de dar uma boa resposta "tolerância zero", resolvi aceitar e ficar, pois eu estava na capital do estado e não conhecia nenhuma outra lan por perto. Nesse momento, a loira disparou: "-É a máquina 5, o pagamento é adiantado". Achei que a lesma estava era desconfiada de mim e me segurei pra não ir embora dali xingando, mas consegui me acalmar (quase usando a técnica do contar de 1a 10) e entreguei uma cédula pra ela. Foi aí que descobri o combustível da mulher, porque a loira pegou aquela nota numa velocidade... Mas, a criatura não se cansava de fazer maldade: "-Ah, num tem troco, não!". Eu, suspirando: "-Tudo bem!" e estendi a mão pra pegar meu dinheiro de volta. Ela, com olhos de cifrão ( $.$ ): "-Fica aí na máquina, que depois aparece troco...".
A "máquina 5" ficava lá atrás, era o último computador. Pensei: "-Ou ela pensa que eu sou um tarado que vai acessar pornografia, ou ela escolheu o PC mais longe possível dela... ou então, as duas coisas...". E eu continuo pensando hoje: por que é que esse pessoal de lan house chama computador de "máquina"? Deve ser pra contar vantagem na reunião de 1 ano de conclusão do Ensino Médio:
-E você, o que anda fazendo?
-Ah, sou administrador de uma rede de máquinas. (tradução: montei uma lan house!)
E o que será que a loira diria? Acho que seria assim:
-E você, o que anda fazendo?
-Ah, sou a técnica orçamentária e fiscalizadora de uma microempresa de máquinas. (tradução: sou balconista de lan house!)
Mas esse negócio de "máquina" me faz lembrar mesmo é trabalho de operário. Acho que essas pessoas ficam tanto tempo mexendo em computador que acabam imaginando que são operários de MATRIX (talvez fosse por isso que a loira parecia tão lerda, ela devia estar naquela cena, se desviando das balas...). Daqui a pouco, esses "operários" vão sair pela rua que nem o Charles Chaplin no filme Tempos Modernos, só que, em vez de apertar os botões dos guardas, eles vão sair "teclando" os seios das senhoras gordas... Dava pra fazer outro filme, Tempos Emos...
Cheguei à "maquina 5", sentei naquelas cadeiras barulhentas (que se movem pra direita com créééééééé e pra esquerda com rátátátátátátá) e percebi que havia um cartaz ao lado do monitor. Esse "cartaz" era uma folha de papel A4 escrito em fonte comic sans (não sei qual o problema de usar outra fonte, acho que pensam que essa é uma fonte divertida... "comic", sei lá...). O que estava escrito? Primeira linha, em word art: INSTRUÇÕES. Pensei: "p.q.p., agora querem transformar a gente em operário também?" (O pior é que é a gente que tem que pagar pra trabalhar pra eles...). Não sei se existe isso em toda lan house, era um cartaz de "boas maneiras" para os clientes (ou vítimas... ou escravos de MATRIX, tanto faz). Dentre as regrinhas, eu lembro:
1. Para sua segurança, não é permitido acessar sites porno.
Estava escrito desse jeito mesmo: "sites porno"... Foi aí que eu tive a certeza de que a balconista não achava que eu era tarado, ela me queria mesmo era longe dela... Mas eu não vejo utilidade nenhuma nessa regra, pois as próprias lans já fazem umas cabinesinhas distantes, meio escondidas, nos cantos... São essas que uns caras parrudos escolhem e, pouco tempo depois, a gente só vê a cabine se estremecendo... Eles poderiam ser mais realistas e escrever no cartaz: "Proibido acessar pornografia nas cabines da frente. Quando estiver nas cabines de trás, por favor, seja discreto e não faça escândalo".
E fiquei pensando outra coisa: tá certo, a maioria das lans tem essa regra do "porno", mas eu não entendi o início do que estava escrito: como assim "para sua segurança"? Será que se eu acessar pornografia aqui, vai sair um cara bombado lá de dentro da lan pra me encher de porrada?
2. Não desperdiçe o seu tempo. Se você sair antes do tempo acabar, não peça troco, nem peça para acumular o tempo, pois o que conta é o dinheiro pago, não o tempo.
Nessa daí eu dei uma "arrumada" nos erros de português, mas a redundância da palavra "tempo" foi mantida. Me pareceu uma regra bem relaxante... Tive medo de que a loira ficasse com o meu troco... Fiquei até com saudades da minha terra, onde as lans são mais simpáticas. Fala sério, "desperdiçar o tempo" é entrar naquele boteco onde eu estava! Eu imagino se existe isso em motel:
-Você comprou 4 horas de suíte, são $$ reais!
-Mas a gente só ficou 20 minutos no quarto!
-Não importa. O que conta é o número de horas que você comprou, não o tempo de duração da sua ereção...
3. Proibido se alimentar no cyber.
Até hoje me pergunto sobre a utilidade dessa regra. É até contraditório, pois o Cyber café também funciona como lanchonete, coisa que, na prática, não acontece muito com as lan houses. Foi aí que fiquei mais impressionado com a ignorância daquele povinho que não sabia nem o que estava administrando (ô povinho ordinário!!!).
Deve ficar difícil mesmo é pro cliente que não sabe o que é Cyber café... Imagina o cara:
-Eu não sei onde é que fica esse negócio de "cíber", então, pra evitar, é melhor eu ir comendo por aqui mesmo...
Algum outro, mais inteligente, vai pensar que "Cyber" é o nome do dono de algum restaurante que é rival do dono da lan. Esse outro deve ficar pensando:
-Lá no restaurante do Cyber deve ter um cartaz escrito "proibido acessar a net no Raimundin da lan house"...
Mas deve haver um mais esperto que os outros dois, que pode pensar:
-O quê? O nome do cachorro dos donos da lan é Cyber? Que nome mais estranho... Hahaha! Os burros que fizeram o cartaz nem souberam escrever "proibido alimentar o Cyber"!
Mas não tem cabimento uma regra dessas. Vai ver que o faxineiro que limpava a sujeira que os clientes deixavam se demitiu... E aquele clima dava uma noia na cabeça: Será que tem alguém de guarda só observando pra ver se um dos clientes faz algum sinal de mastigação? Qualquer movimento suspeito com a boca e a gente se ferra? E se eu for diabético e comer uma balinha, vão me botar pra fora???
4. Seja educado. Proibido conversas no cyber.
E com a atmosfera da regra anterior, o cara que lê essa só pode ficar mais louco, achando que não pode nem se virar para a pessoa da cabine ao lado, assim meio que escondido, pra cochichar: "-Psiu! Ei! Ei! Será que balinha de hortelã pode?". Quando ele estivesse mostrando a tal balinha pro "colega" de conversa, repentinamente, ele sentiria sua mão sendo esmagada por uma outra, bem maior, de um brutamontes sorridente, que diria: "-Você sabe o que a gente faz com os tagarelas, não sabe?"
E o pensador esperto da regra acima continuaria achando estranho: "-Povo ciumento! Por que é que a gente não pode nem falar com o cachorro?"
5. Seja organizado. Não nos responsabilizamos pelos pertences deixados no local. E não deixe lixo acumulado sobre as mesas ou cadeiras, para isso existem "lixeirinhas" nos cantos do cyber.
Com essa, o cara já se torna um paranoico formado. Começa logo a segurar firme qualquer carteira, bolsa ou pacote que estiver carregando. Esquecer a carteira e voltar pra buscar, nem pensar!
A parte final da regra poderia até demonstrar um toque de humanidade, por causa do nome "lixeirinhas", o problema é que ele foi escrito assim mesmo, com aspas... Como se fosse algo terrivelmente irônico... Algo como Pôncio Pilatos dizendo:
-Traga o "rei dos judeus"!!!
Ou como Hitler dizendo:
-Onde estão os nossos "queridos hóspedes" do campo de concentração?
Ou como se alguém do senado dissesse:
-Eu sou um "político honesto".
Procurei, então, as tais "lixeirinhas", mas não vi nenhuma... Parecia sala de aula: tem sempre uma cartolina dizendo "jogue o lixo no lixo", mas a gente procura a lixeira e não acha... A solução dos alunos é jogar o lixo em algum nerd eleito como "o lixo da sala"... Naquele momento, desejei ter algum lixo, só pra transformar a loira no "lixo da sala"...
No final do cartaz, pra encerrar, tinha um toque artístico: duas carinhas (emoticons, smilies) felizes... Eu pensei: "-Meu Deus, que tipo de mente doentia, sádica e psicopática é capaz de elaborar essas regras e colocar uma carinha feliz embaixo???". É algo assim como a ideia de um palhaço assassino saído de filme de terror... uma espécie de Ronald Mc Donald!!! (pra quem não sabe, esse é o garoto propaganda dos lanches Mc Donald's... e só pra confirmar, aquela coisa lá é um palhaço... digo isso porque tem gente que acha que aquilo é uma drag queen, tipo Elke Maravilha... Dercy Gonçalves...)
Deixei o cartaz pra lá e resolvi me concentrar no computador... quer dizer, na máquina, na máquina! (ufa! quase fui eliminado de Matrix!). Verifiquei na tela que o ponteiro do mouse estava piscando e virando ampulheta constantemente. Pensei: "-Ih! Peguei um PC mais bichado que jogador da seleção jogando contra França em Copa do Mundo!". A "máquina" tava mais doente que corintiano roxo e tinha mais bicho que açucareiro destampado... Por causa disso, nem acessei o AS, nem qualquer outra comunidade ou site que precisasse de senha. Mas sem pornografia e sem comunidades, o que é que sobra mesmo na internet? Resolvi acessar a wikipédia pra pesquisar alguns assuntos que iriam cair numa prova... Pensei orgulhoso: "-Finalmente fiz alguma coisa de útil na internet!". O problema é que, na prova, não caiu nada do que eu estudei pela web...
Também não sei se isto acontece em toda lan house: quando o tempo está próximo do fim, ouço uma voz cavernosa e assustadora, saindo dos fones de ouvido num volume altíssimo. Eu não entendo nada do que aquela criatura do submundo fala, mas tem algo a ver com um alerta de que o tempo está se esgotando. Deve ser útil para os fãs de pornografia, que já vão logo fechando as janelas do navegador, fechando zíperes, etc. O estilo aterrorizante daquela voz é até uma coisa bem pensada: os desavisados, quando são surpreendidos pela "fala de Satã" em seus ouvidos, devem borrar completamente as calças, sendo, assim, obrigados a pegarem suas coisas e se retirarem imediatamente do local...
Terminado o tempo, a cadeira faz crééééééééééééé e eu saio, não sem antes dar uma checada rigorosa pra ver se não ia esquecendo nada que pudesse ser confiscado por aquele povo. Cheguei ao balcão da loira perguntando pelo troco. Ela respondeu: "-Que troco, você não leu o aviso, não?". Nessas horas a gente pensa em xingar a mãe de todo mundo, virar o Rambo pra metralhar o lugar, ou então virar o Dr. Hannibal Lector, pra comer o fígado assado e temperado dessas criaturas. Mas, depois de pensar tudo isso, você volta pra realidade e fala com uma vozinha tímida: "-Não, eu sou aquele do troco...".
A balconista nojenta, então, se lembra: "-Ah, é mesmo... tsc!... peraí...". Ela abre a gavetinha e pergunta: "-Pode ser troco em moeda?" (não, faz aí um cheque de 3 reais e tá ótimo!). Claro que a gente tem que aceitar, se ainda quiser o dinheiro... mas, antes que completasse o dinheiro do troco, o que acontece? As moedas acabam... e ela apela: "-Pode ser em balinha?". Pensei: "-É o jeito, vocês não vão me dar o troco de outro jeito mesmo...". Acabei recebendo as balinhas e saí daquela baiuca pra nunca mais voltar.
Mas, no caminho, eu ainda pensava... Até quando vai funcionar esse negócio de troco em balinha? Já pensou se os fabricantes de balinhas resolverem fazer greve? No comércio, a atendente vai dizer ao cliente:
-E agora, senhor? As balinhas estão em falta.
-Pode ser troco em forma de favores sexuais?
E essa última forma de troco me fez imaginar o contrário, sexo com troco: No cabaré, a garota de programa recebe o dinheiro e diz: "-Você quer o troco em camisinhas de hortelã ou de morango?"... E se tiver uma pXXa louca que pague o troco em balinha? Ela entrega pro cara um preservativo cheio de balinhas tutti-fruti e ele, machão, responde: "-Minha filha, na minha boca não entra nada que você chupe!".
-O que é que tem aí pra dançar?
-Meu bro, tem Eletro Tecno, Break Dance e Lan House!
Isso me faz lembrar de uma das vezes em que entrei em uma lan (vou chamar assim, é tão "moderninho"...). Foi num posto de gasolina (então não era uma Lan House, era uma Lan Gas Station***). Entrei e tinha uma loira grávida atrás do balcão, lendo aquelas revistinhas femininas de adolescente (Pô, vê se cresce!... Acho que ela fez o filho "brincando"...). Perguntei:
-Quanto é a hora?
Ela, sem desgrudar da revista - Dois reais.
Retruquei - Ah, então vai ser uma hora mesmo!
Fiquei esperando ela me indicar o computador e tal. Mas ela ficou muda, lendo. Na estação de rádio que servia como música-ambiente, tocava uma musiquinha até bacana - um pop rock. Então, a preguiçosa olhou pra mim com um esforço absurdo para levantar a vista e perguntou, com aquela vozinha antipática: -Vai querer? (não, vim até aqui só pra saber o preço da hora, sabe? Seu filho vai nascer com cara de bicho-preguiça e bunda de cágado cagado, tchau!). Ao invés de dar uma boa resposta "tolerância zero", resolvi aceitar e ficar, pois eu estava na capital do estado e não conhecia nenhuma outra lan por perto. Nesse momento, a loira disparou: "-É a máquina 5, o pagamento é adiantado". Achei que a lesma estava era desconfiada de mim e me segurei pra não ir embora dali xingando, mas consegui me acalmar (quase usando a técnica do contar de 1a 10) e entreguei uma cédula pra ela. Foi aí que descobri o combustível da mulher, porque a loira pegou aquela nota numa velocidade... Mas, a criatura não se cansava de fazer maldade: "-Ah, num tem troco, não!". Eu, suspirando: "-Tudo bem!" e estendi a mão pra pegar meu dinheiro de volta. Ela, com olhos de cifrão ( $.$ ): "-Fica aí na máquina, que depois aparece troco...".
A "máquina 5" ficava lá atrás, era o último computador. Pensei: "-Ou ela pensa que eu sou um tarado que vai acessar pornografia, ou ela escolheu o PC mais longe possível dela... ou então, as duas coisas...". E eu continuo pensando hoje: por que é que esse pessoal de lan house chama computador de "máquina"? Deve ser pra contar vantagem na reunião de 1 ano de conclusão do Ensino Médio:
-E você, o que anda fazendo?
-Ah, sou administrador de uma rede de máquinas. (tradução: montei uma lan house!)
E o que será que a loira diria? Acho que seria assim:
-E você, o que anda fazendo?
-Ah, sou a técnica orçamentária e fiscalizadora de uma microempresa de máquinas. (tradução: sou balconista de lan house!)
Mas esse negócio de "máquina" me faz lembrar mesmo é trabalho de operário. Acho que essas pessoas ficam tanto tempo mexendo em computador que acabam imaginando que são operários de MATRIX (talvez fosse por isso que a loira parecia tão lerda, ela devia estar naquela cena, se desviando das balas...). Daqui a pouco, esses "operários" vão sair pela rua que nem o Charles Chaplin no filme Tempos Modernos, só que, em vez de apertar os botões dos guardas, eles vão sair "teclando" os seios das senhoras gordas... Dava pra fazer outro filme, Tempos Emos...
Cheguei à "maquina 5", sentei naquelas cadeiras barulhentas (que se movem pra direita com créééééééé e pra esquerda com rátátátátátátá) e percebi que havia um cartaz ao lado do monitor. Esse "cartaz" era uma folha de papel A4 escrito em fonte comic sans (não sei qual o problema de usar outra fonte, acho que pensam que essa é uma fonte divertida... "comic", sei lá...). O que estava escrito? Primeira linha, em word art: INSTRUÇÕES. Pensei: "p.q.p., agora querem transformar a gente em operário também?" (O pior é que é a gente que tem que pagar pra trabalhar pra eles...). Não sei se existe isso em toda lan house, era um cartaz de "boas maneiras" para os clientes (ou vítimas... ou escravos de MATRIX, tanto faz). Dentre as regrinhas, eu lembro:
1. Para sua segurança, não é permitido acessar sites porno.
Estava escrito desse jeito mesmo: "sites porno"... Foi aí que eu tive a certeza de que a balconista não achava que eu era tarado, ela me queria mesmo era longe dela... Mas eu não vejo utilidade nenhuma nessa regra, pois as próprias lans já fazem umas cabinesinhas distantes, meio escondidas, nos cantos... São essas que uns caras parrudos escolhem e, pouco tempo depois, a gente só vê a cabine se estremecendo... Eles poderiam ser mais realistas e escrever no cartaz: "Proibido acessar pornografia nas cabines da frente. Quando estiver nas cabines de trás, por favor, seja discreto e não faça escândalo".
E fiquei pensando outra coisa: tá certo, a maioria das lans tem essa regra do "porno", mas eu não entendi o início do que estava escrito: como assim "para sua segurança"? Será que se eu acessar pornografia aqui, vai sair um cara bombado lá de dentro da lan pra me encher de porrada?
2. Não desperdiçe o seu tempo. Se você sair antes do tempo acabar, não peça troco, nem peça para acumular o tempo, pois o que conta é o dinheiro pago, não o tempo.
Nessa daí eu dei uma "arrumada" nos erros de português, mas a redundância da palavra "tempo" foi mantida. Me pareceu uma regra bem relaxante... Tive medo de que a loira ficasse com o meu troco... Fiquei até com saudades da minha terra, onde as lans são mais simpáticas. Fala sério, "desperdiçar o tempo" é entrar naquele boteco onde eu estava! Eu imagino se existe isso em motel:
-Você comprou 4 horas de suíte, são $$ reais!
-Mas a gente só ficou 20 minutos no quarto!
-Não importa. O que conta é o número de horas que você comprou, não o tempo de duração da sua ereção...
3. Proibido se alimentar no cyber.
Até hoje me pergunto sobre a utilidade dessa regra. É até contraditório, pois o Cyber café também funciona como lanchonete, coisa que, na prática, não acontece muito com as lan houses. Foi aí que fiquei mais impressionado com a ignorância daquele povinho que não sabia nem o que estava administrando (ô povinho ordinário!!!).
Deve ficar difícil mesmo é pro cliente que não sabe o que é Cyber café... Imagina o cara:
-Eu não sei onde é que fica esse negócio de "cíber", então, pra evitar, é melhor eu ir comendo por aqui mesmo...
Algum outro, mais inteligente, vai pensar que "Cyber" é o nome do dono de algum restaurante que é rival do dono da lan. Esse outro deve ficar pensando:
-Lá no restaurante do Cyber deve ter um cartaz escrito "proibido acessar a net no Raimundin da lan house"...
Mas deve haver um mais esperto que os outros dois, que pode pensar:
-O quê? O nome do cachorro dos donos da lan é Cyber? Que nome mais estranho... Hahaha! Os burros que fizeram o cartaz nem souberam escrever "proibido alimentar o Cyber"!
Mas não tem cabimento uma regra dessas. Vai ver que o faxineiro que limpava a sujeira que os clientes deixavam se demitiu... E aquele clima dava uma noia na cabeça: Será que tem alguém de guarda só observando pra ver se um dos clientes faz algum sinal de mastigação? Qualquer movimento suspeito com a boca e a gente se ferra? E se eu for diabético e comer uma balinha, vão me botar pra fora???
4. Seja educado. Proibido conversas no cyber.
E com a atmosfera da regra anterior, o cara que lê essa só pode ficar mais louco, achando que não pode nem se virar para a pessoa da cabine ao lado, assim meio que escondido, pra cochichar: "-Psiu! Ei! Ei! Será que balinha de hortelã pode?". Quando ele estivesse mostrando a tal balinha pro "colega" de conversa, repentinamente, ele sentiria sua mão sendo esmagada por uma outra, bem maior, de um brutamontes sorridente, que diria: "-Você sabe o que a gente faz com os tagarelas, não sabe?"
E o pensador esperto da regra acima continuaria achando estranho: "-Povo ciumento! Por que é que a gente não pode nem falar com o cachorro?"
5. Seja organizado. Não nos responsabilizamos pelos pertences deixados no local. E não deixe lixo acumulado sobre as mesas ou cadeiras, para isso existem "lixeirinhas" nos cantos do cyber.
Com essa, o cara já se torna um paranoico formado. Começa logo a segurar firme qualquer carteira, bolsa ou pacote que estiver carregando. Esquecer a carteira e voltar pra buscar, nem pensar!
A parte final da regra poderia até demonstrar um toque de humanidade, por causa do nome "lixeirinhas", o problema é que ele foi escrito assim mesmo, com aspas... Como se fosse algo terrivelmente irônico... Algo como Pôncio Pilatos dizendo:
-Traga o "rei dos judeus"!!!
Ou como Hitler dizendo:
-Onde estão os nossos "queridos hóspedes" do campo de concentração?
Ou como se alguém do senado dissesse:
-Eu sou um "político honesto".
Procurei, então, as tais "lixeirinhas", mas não vi nenhuma... Parecia sala de aula: tem sempre uma cartolina dizendo "jogue o lixo no lixo", mas a gente procura a lixeira e não acha... A solução dos alunos é jogar o lixo em algum nerd eleito como "o lixo da sala"... Naquele momento, desejei ter algum lixo, só pra transformar a loira no "lixo da sala"...
No final do cartaz, pra encerrar, tinha um toque artístico: duas carinhas (emoticons, smilies) felizes... Eu pensei: "-Meu Deus, que tipo de mente doentia, sádica e psicopática é capaz de elaborar essas regras e colocar uma carinha feliz embaixo???". É algo assim como a ideia de um palhaço assassino saído de filme de terror... uma espécie de Ronald Mc Donald!!! (pra quem não sabe, esse é o garoto propaganda dos lanches Mc Donald's... e só pra confirmar, aquela coisa lá é um palhaço... digo isso porque tem gente que acha que aquilo é uma drag queen, tipo Elke Maravilha... Dercy Gonçalves...)
Deixei o cartaz pra lá e resolvi me concentrar no computador... quer dizer, na máquina, na máquina! (ufa! quase fui eliminado de Matrix!). Verifiquei na tela que o ponteiro do mouse estava piscando e virando ampulheta constantemente. Pensei: "-Ih! Peguei um PC mais bichado que jogador da seleção jogando contra França em Copa do Mundo!". A "máquina" tava mais doente que corintiano roxo e tinha mais bicho que açucareiro destampado... Por causa disso, nem acessei o AS, nem qualquer outra comunidade ou site que precisasse de senha. Mas sem pornografia e sem comunidades, o que é que sobra mesmo na internet? Resolvi acessar a wikipédia pra pesquisar alguns assuntos que iriam cair numa prova... Pensei orgulhoso: "-Finalmente fiz alguma coisa de útil na internet!". O problema é que, na prova, não caiu nada do que eu estudei pela web...
Também não sei se isto acontece em toda lan house: quando o tempo está próximo do fim, ouço uma voz cavernosa e assustadora, saindo dos fones de ouvido num volume altíssimo. Eu não entendo nada do que aquela criatura do submundo fala, mas tem algo a ver com um alerta de que o tempo está se esgotando. Deve ser útil para os fãs de pornografia, que já vão logo fechando as janelas do navegador, fechando zíperes, etc. O estilo aterrorizante daquela voz é até uma coisa bem pensada: os desavisados, quando são surpreendidos pela "fala de Satã" em seus ouvidos, devem borrar completamente as calças, sendo, assim, obrigados a pegarem suas coisas e se retirarem imediatamente do local...
Terminado o tempo, a cadeira faz crééééééééééééé e eu saio, não sem antes dar uma checada rigorosa pra ver se não ia esquecendo nada que pudesse ser confiscado por aquele povo. Cheguei ao balcão da loira perguntando pelo troco. Ela respondeu: "-Que troco, você não leu o aviso, não?". Nessas horas a gente pensa em xingar a mãe de todo mundo, virar o Rambo pra metralhar o lugar, ou então virar o Dr. Hannibal Lector, pra comer o fígado assado e temperado dessas criaturas. Mas, depois de pensar tudo isso, você volta pra realidade e fala com uma vozinha tímida: "-Não, eu sou aquele do troco...".
A balconista nojenta, então, se lembra: "-Ah, é mesmo... tsc!... peraí...". Ela abre a gavetinha e pergunta: "-Pode ser troco em moeda?" (não, faz aí um cheque de 3 reais e tá ótimo!). Claro que a gente tem que aceitar, se ainda quiser o dinheiro... mas, antes que completasse o dinheiro do troco, o que acontece? As moedas acabam... e ela apela: "-Pode ser em balinha?". Pensei: "-É o jeito, vocês não vão me dar o troco de outro jeito mesmo...". Acabei recebendo as balinhas e saí daquela baiuca pra nunca mais voltar.
Mas, no caminho, eu ainda pensava... Até quando vai funcionar esse negócio de troco em balinha? Já pensou se os fabricantes de balinhas resolverem fazer greve? No comércio, a atendente vai dizer ao cliente:
-E agora, senhor? As balinhas estão em falta.
-Pode ser troco em forma de favores sexuais?
E essa última forma de troco me fez imaginar o contrário, sexo com troco: No cabaré, a garota de programa recebe o dinheiro e diz: "-Você quer o troco em camisinhas de hortelã ou de morango?"... E se tiver uma pXXa louca que pague o troco em balinha? Ela entrega pro cara um preservativo cheio de balinhas tutti-fruti e ele, machão, responde: "-Minha filha, na minha boca não entra nada que você chupe!".
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Até quando postei esse texto, eu o considerava meu. Mas, como tudo o que cai na web é peixe, provavelmente eu ainda vá encontrá-lo no site de algum maluco, ou na fala de algum comediante de stand-up. Daqui a pouco, é capaz até do Sarney lançar um novo livro, intitulado "O Dono da Lan"****.
O mais plausível mesmo que esse texto acabe nas paredes de alguma lan house, ao lado de algumas frases de auto-ajuda, umas piadinhas e um cartaz com "INSTRUÇÕES".
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*stand-up: em pé (de pé, erguido), na língua inglesa. Stand-up comedy é o estilo de apresentação de humoristas que se apresentam no palco sozinhos, com um microfone e em pé.
**sit-down: sentado, em inglês.
****referência a um romance de José Sarney: "O Dono do Mar".
(http://filipaoaragao.blogspot.com)
Uma duvida pairou por minha cabeça agora:
ResponderExcluirEsse foi teu primeiro texto nesse gênero?
Parabéns, já sabe que eu gostei!
BjãOOo
Não,houve alguns tão sem graça que joguei fora...
ResponderExcluirEsse aí é foi tão inspirado que resolvi guardar e postar...